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O Tratado da Pintura

Neste artigo de nossa Biografia de Da Vinci, vamos estudar sobre uma importante contribuição de Leonardo para, especificamente, o estudo da arte, o Tratado da pintura.

Tratado da Pintura

Dotado de um gênio universal, Leonardo se preocupou, também, com o aspecto filosófico e didático da sua arte favorita: a pintura.

Foi assim que ele compôs seu grande e justamente famoso Tratado da Pintura, no qual ele discute os fundamentos dessa arte, faz análises filosóficas sobre a natureza dela, divide-a cuidadosamente em suas partes constitutivas, estuda sua formação a partir da observação do espetáculo contínuo que é oferecido ao olho humano pelo mundo envolto em luz, trabalha a teoria das cores, dá conselhos práticos aos diletantes, aprendizes e aos artistas de outras áreas que se interessam pela pintura, esmiúça as diversas paisagens que encontramos ao percorrer a superfície da terra, ilustra com desenhos variados e instrutivos as funções do olho, disserta acerca da posição de cada membro do corpo na composição de um quadro, compara as mais diferentes figuras da fauna e da flora entre si e em comparação com o homem, avalia os efeitos da distância, da névoa, da claridade e da obscuridade sobre a superfície pintada, acompanha com extrema sensibilidade todos os movimentos do corpo vivo quando vestido e quando desnudo, percorre, enfim, os campos infinitos da arte com o bom gosto e o tato de um génio autêntico.

Por isso, embora a concepção original de um manual de pintura 110 tios eleva,lo acutilo pertença a Leone Battista Alberti, autor do "Da Pintura", a obra de Leonardo possui o mais elevado mérito.


Trattato della Pittura
Tratado da Pintura (Trattato_della_Pittura)

Morte de Leonardo Da Vinci

Neste artigo, vamos falar do falecimento do gênio Da Vinci, ocorrida em 2 de maio de 1519.

A Morte de Leonardo

Hoje em dia muitos críticos duvidam da veracidade do relato de Vasari acerca da morte de Leonardo: parece-lhes ser apenas um quadro, uma pintura ou peça teatral adrede montada para impressionar, aquele fim solene com o artista cercado por seus discípulos e, o que é ainda mais impressionante, encerrando sua existência terrena nos braços do rei de França.

Talvez isso seja, pensam os críticos, apenas uma aproximação inconsciente feita por Vasari daquela outra morte famosa que se tornou tema da pintura: a do filósofo grego Sócrates, que disserta de maneira sublime acerca da vida presente, pouco ante de ingerir o veneno fatal imposto pelos morte, da vida futura, da justiça divina e do sentido dessa nossa seus ingratos concidadãos.

Mas isso pouco importa, visto que os críticos às vezes gostam de destruir nossas ilusões apenas a fim de entristecer-nos e diminuir em nossos corações aquilo que neles sobrevive de renascentista: nosso entusiasmo e amor pela arte. Podemos concluir que de qualquer modo morte de Leonardo foi realmente grandiosa, digna de sua vida, visto que causou a mais profunda comoção entre todos que o conheceram e no mundo da cultura intelectual, das letras e das artes.

Ele também morreu no exílio, corno Dante Alighieri, sendo, porém, ao contrário daquele, apenas indiretamente vítima da ingratidão de Florença.

O poeta alemão Goethe, em seus estudos italianos, compara graciosamente a arte da renascença com o céu estrelado ora visto a olho nu ora visto sob aproximação das lentes de um telescópio, ou quiçá mediante uma viagem imaginária: de longe, afirma Goethe, divisamos apenas esta ou aquela estrela de primeira grandeza e algumas constelações; mas, quando nos achegamos, todo o céu deverá brilhar sob o esplendor de numerosos astros e fogos fátuos sem fim; assim, cada cidade da Itália, cada distrito, mesmo o mais obscuro e geograficamente insignificante, guarda em suas igrejas, palácios, antigas residências senhoriais, galerias e museus, ou até mesmo ao ar livre, alguma obra prima produzida pelo espírito fecundo da renascença. Assim também é a vida de Leonardo da Vinci.

À distância, ou encarado sob o prisma detestável dos clichês, ele nos parece ser apenas o autor de algumas obras primas encerradas nos museus; e as fileiras intermináveis à turistas apenas parecem confirmar a banalidade daqueles clichês; a Mona Lisa, por exemplo, recebe de quando em quando a critica de que "é uni quadro muito pequeno'; de fama desproporcional, portanto.' e não poucos se dispõem a conhecê-la, e a outras obras de Leonardo, apenas com a finalidade confessa de "estar ao corrente dos mais importantes acontecimentos culturais", servindo-se para isso das mais modernas máquinas fotográficas e dos mais bem reputados manuais de história da arte.

Tudo isso, entretanto, não afeta a grandeza de Leonardo, e se nos aproximamos dele na última cena de sua vida maravilhosa, vamos confirmar toda a legenda: essa vida também deve brilhar com o esplendor de mil constelações.

Quando morreu Leonardo Da Vinci

Leonardo Da Vinci vai para França

A França

O intercâmbio cultural entre a Itália e a França foi intensificado a partir do século XIII.

Intelectuais italianos do porte de Dante e Tomás de Aquino não apenas estudaram em Paris, mas também absorveram a fundo a cultura original que lá se desenvolvia, naquela região intermediária entre as províncias flamengas e a própria Itália.

Além disso, o espírito da poesia trovadoresca, de provável origens sarracena, se espalhou por toda a península, levando os seus "cantares" aos mais remotos rincões; isso, juntamente com a formação paulatina de uma língua nacional, popular e literária, em ambos os países, estimulou suas relações recíprocas.

No final do século XV e começo do século XVI, quando já estava formada a monarquia nacional francesa, sob o regime da "terceira raça", a prestigiosa dinastia de Valois, essas relações se condensaram em disputas dinásticas por um lado, com reivindicações francesas sobre a Lombardia, e, por outro lado, nas mais profícuas trocas em termos culturais.

O rei Francisco I se mostrou um soberano generoso e admirador incondicional da cultura italiana, o que muito influenciou a vida de Leonardo em sua última fase.

Rei Francisco I

O relacionamento de Leonardo da Vinci com a refinada corte francesa remonta aos primeiros tempos de Milão, quando o artista conheceu o rei Francisco I, senhor de um gosto refinado e mecenas da mais alta categoria, que admirava profundamente a cultura renascentista italiana, era colecionador de obras de arte, humanista e amante dos livros, e assim enriqueceu as bibliotecas e os palácios de França.

Além disso, ele promoveu a grandeza do país, disputando a primazia no continente europeu com Carlos V. Em sua Autobiografia, Benvenuto Cellini não economiza elogios dirigidos ao soberano francês, que era capaz recompensar os autores de belas obras de arte com pensões generosas ou ricas prebendas, além de títulos nobiliárquicos e a sua honrosa amizade.

O rei também era condescendente e afável,  se  dignando dar conselhos acerca de empreendimentos artísticos, ou ouvir com atenção as opiniões de diletantes e especialistas a respeito desse assunto.

Embora notemos algum exagero na afirmativa de Benvenuto Cellini, de que o rei confessou: "Jamais vi outro homem desta profissão", quer dizer, um artista, "que me agrade mais, ou mereça mais ser premiado por isso", referindo-se ao próprio Cellini, é claro, o fato é que Francisco I soube reunir à sua volta uma plêiade de notáveis artistas, sempre falando muitíssimo bem o italiano, como ressalta Cellini a respeito deste ou daquele nobre francês dotado da insigne qualidade.

Com o fim de deleitar-se à distância de sua capital Paris, ou talvez imitando nisso também os italianos que tanto admirava, o rei construiu uma estância dotada de deliciosos parques à volta de um palácio que deveria ser o receptáculo de seu refinamento: Fontainebleau, nome que Cellini traduz em italiano de maneira pitoresca e sedutora aos nossos ouvidos.

Embora esta fosse a sede da corte, o lugar de eleição de Francisco I onde deveriam brilhar algumas obras do renascimento tardio e do início do maneirismo italiano, aquela fase mais delicada e por assim dizer feminina da arte, quando a elegância excessiva e a preocupação com um efeito quase teatral tomou conta da pintura e da escultura, outros palácios são dignos de menção, sobretudo os situados no pitoresco vale do Loire, os quais expressam todo o sentimento de grandeza e de cultura artística e intelectual da nobreza de França.

Destinados, a principio, ao rei Luís XII e seus ministros, aqueles palácios serviram depois, sob Francisco I, de refúgio a muitos artistas vindos da Itália. Blois, Amboise, Gaillon, Chambord, Azay-le-ideau, Chenonceau, são os nomes mais 'expressivos desses re-cantos onde a vida rural e suburbana era artificialmente dotada de todos os confortos imagináveis na época, a fim de oferecer um descanso melhor aos seus chegou obres ocupantes; Leonardo foi estabelecido em Amboise a França.

Castelo Clos Lucé
solar de Clos Lucé, que Rei Francisco deixou a disposição de Da Vinci até sua morte

Impressionismo

Agora que já falamos sobre a espiritualidade de Leonardo Da Vinci, vamos ler sobre um fascínio de nosso gênio, os 'tipos' de pessoas, e daí vamos entender um pouco mais sobre o impressionismo de Leonardo.

Os Tipos de Leonardo

Leonardo observava com atenção os tipos que encontrava em qualquer lugar, fosse no burburinho das ruas, fosse nalgum palácio ou estúdio, ou mesmo nos mais inesperados lugares e circunstâncias.

Princesas e plebeias, tipos nobres e refinados ou, ao contrário, grosseiros e caricatos, crianças da mais alta extração ou moleques de rua, mercadores e letrados, clérigos de psicologia sutil e brigões do mercado, todos lhe interessavam igualmente e serviam para enriquecer sua notável galeria.

O episódio ocorrido em Milão, quando ele tardou cerca de um ano na entrega da Ceia aos frades dominicanos pelo simples fato de que não encontrava uma cabeça apropriada para o Judas é bastante ilustrativo do gênio de Leonardo.

Seu biógrafo Vasari diz que ele tinha verdadeiro fascínio por cabeças bizarras, emolduradas por barba e cabelo, de tal modo que seria capaz de seguir e observar um tipo assim durante a jornada inteira, a fim de reproduzi-lo fielmente no seu retorno ao estúdio.

Sua memória visual era prodigiosa e estava sempre a serviço do pincel, apresentando como resultado uma abundante coleção de cabeças de homens e mulheres que parecem presentes em carne e osso; nesse sentido merece destaque a cabeça de Américo Vespúcio, o legendário viajante, geógrafo e descobri-dor florentino, reproduzida nos cadernos de desenho do próprio biógrafo.

Outra é a de um velho, um capitão cigano, considerada belíssima e dotada do mais alto poder de expressão; também o esboço da Adoração dos Magos, o mais famoso de quantos saíram das mãos de Leonardo, abunda em cabeças dotadas de desenho e psicologia extraordinária.

Esse esboço pode ser visto em Florença, na Galeria degli Ufizzi, e suscitou toda uma literatura em torno dele, a qual, se é menos abundante que a da Mona Lisa, não é, porém, absolutamente, de menor significado. como salienta um crítico, o alemão Spengler:

  • "Leonardo fala uma linguagem diferente da de seus contemporâneos; em coisas essenciais seu espi-rito alcança o século seguinte; ele não estava, como Miguel Ângelo, atado por todas as fibras de seu coração ao ideal da forma toscana".


Parece-lhe que, enquanto Michelangelo buscava reproduzir com perfeição as superfícies plásticas dos antigos escultores, Leonardo colocava em destaque essas mesmas superfícies, porém num sentido próprio, dir-se-ia fisiológico, que servisse para revelar os mistérios escondidos no interior.

Enquanto o primeiro tencionava traduzir toda linguagem humana no idioma do corpo visível, os esboços de Leonardo manifestam o contrário; o seu famoso esfumado, ainda segundo o crítico, serve para negar os limites do corpo, e apresentar toda a plenitude do espaço.

Até mesmo o impressionismo, quiçá o último grande movimento pictórico do mundo moderno, teria começado no artista florentino Leonardo; e a espiritualidade de seus quadros só encontrava uma expressão justa no inacabado da superfície, naquela "substância cromática colocada como uma espécie de hálito sobre o quadro, o qual se torna propriamente algo de incorpóreo e indescritível".

Aqui, de fato, impressionismo é uma palavra chave, quando se pensa na riqueza de nuances buscada por Leonardo, nas incríveis minúcias a que ele chega a fim de expressar toda a gama de tons e semitons que é possível conseguir no caminho que vai do claro ao escuro, da luz à sombra.

Quando Berenson diz que antes dos pintores impressionistas o contraste entre luz e sombra era abrupto, e não se conheciam as gradações intermediárias, não podemos concordar com o grande crítico; porque Leonardo já tinha descoberto e manejava muito bem seu pincel no estabelecimento daquelas gradações; ele também era capaz de enxergar sombras multicolores, e educar-se a si mesmo e a nós numa visão impressionista da natureza.

Para Leonardo o sentido do corpo não se esgotava em si mesmo; não se tratava apenas de desenhá-lo com perfeição, como tinham feito outros artistas florentinos, mas de evocar os mortos, por assim dizer, exigindo da anatomia que se transformasse em algo vivo e falante, algo que ultrapassasse a limitação material do presente e do palpável.

E mesmo que Leonardo não tenha descoberto a circulação do sangue com finalidades médicas, como o fez Harvey, seus descobrimentos acerca dela não são menos importantes do ponto de vista da história da arte.

Realizados na época dos grandes descobrimentos geográficos, na mesma época, aliás, em que vivia em Florença o famoso mestre Toscanelli os trabalhos de Leonardo nos permitem avaliar seu grande alcance pela própria comparação: Leonardo da Vinci se emparelha com os ousados navegantes e geógrafos de seu tempo, com Américo Vespúcio e Colombo, e o mesmo valor que a bússola tinha para seu legendário conterrâneo genovês, tem para Leonardo o pincel, o cinzel, o bisturi, o lápis e o compasso; seus cadernos de desenho, aquela maravilha máxima da arte humana de registrar o mundo visível, ocupam o mesmo lugar que os diários de bordo de Cristóvão Colombo.

E enquanto o navegante singra os mares, se defronta com mares desconhecidos, paisagens de horizonte imenso e imersas na névoa, cabos de perfil ameaçador e quase humano, guiando-se pelo instrumento da bússola, Leonardo se aventura pelo mundo igualmente fascinante da arte e exibe os mais íntimos segredos da psicologia.

Para ele a fisionomia é a expressão das camadas mais profundas da mente, e o prazer maior do artista consiste em buscar essa mente sob os véus espessos que a envolvem. Na busca incessante de algo novo e inacessível, Leonardo parecia querer libertar a sua própria alma das amarras terrestres, do mesmo modo que libertava os pássaros de suas gaiolas.

Não é casual seu interesse pelas máquinas de voar; e na sua pintura, sobretudo na Adoração dos Magos, ele parece herdar os sonhos místicos dos visionários medievais, que tinham andado pelas regiões montanhosas da Toscana e da Itália central, e para os quais voar não parecia impossível; nessa atmosfera de sonho Spengler se pergunta:

"Ninguém observou como a legenda cristã na pintura ocidental se converteu em uma transfiguração maravilhosa desse motivo? Realmente, nos deixam encantados no estudo da história da arte "todas essas ascensões, todas essas descidas ao inferno, o voar acima das nuvens, as assunções beatificas dos anjos e santos, toda a liberação do peso terrestre, e jamais nos cansamos de observar, seguindo-os passo a passo, os esforços feitos pelos pintores italianos do final da idade média no sentido de afastar-se da rigidez bizantina a fim de encontrar seus próprios caminhos.

Dificilmente podemos avaliar todo o impacto daquela estranha arquitetura da Catedral de Milão sobre o espírito de Leonardo; tratava-se, antes de tudo, de uma flor gótica plantada no solo da península, flor essa tão exótica quanto a outra, esta sarracena, da Catedral de Palermo: ambas parecem, de certo modo, colocadas fora da Itália; são demasiado originais e exóticas; porém, ao mesmo tempo, ambas servem para realçar a elegância e o refinamento para os quais tanto contribuiu o próprio Leonardo.

Vida e obra de Leonardo Da Vinci, biografia, resumo completo

Espiritualidade: Fé e Religião de Leonardo Da Vinci

Qual a religião de Leonardo? Como era a fé do grande gênio ?
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Espiritualidade de Leonardo Da Vinci

Entretanto, não podemos nos esquecer da importância que a cabeça humana como o órgão do pensamento, o foco da espiritualidade e de toda psicologia, tem para Leonardo da Vinci.

Desde os tempos do ateliê de Verrocchio ele já demonstrava seu interesse pela anatomia e o desenho perfeito da cabeça, interesse que só fez aumentar mais tarde, estendendo-se para o estudo da formação e expressão geral do rosto e a cor e expressão dos olhos.

Leonardo acredita, por exemplo, que os rostos devam ser idealizados quando o mereçam, a fim de combinar com a alma interior sediada na cabeça; ele adverte o pintor contra os perigos da escolha adrede de rostos afins ao do próprio artista, para evitar o desenho de rostos feios, se acaso for feio aquele artista, o que costumava acontecer entre os últimos representantes da idade média, com seus grotescos: ao contrário, diz Leonardo, se o artista busca a beleza desde o inicio acabará por encontrá-la.

Ele ainda salienta que o objeto da pintura será, sempre, descrever o corpo e a mente; esta última sendo, é claro, de acesso mais difícil, e exigindo a mais cuidadosa observação dos gestos que a representam.

O pintor deve, ainda segundo Leonardo, estudar a gesticulação dos mudos, a mais rica que existe, com o objeto de ler e traduzir tudo aquilo que acontece na mente; os minuciosos estudos sobre a posição e forma do nariz, sobre o arqueado maior ou menor das sobrancelhas, a espessura dos cílios e o desenho da boca indicam aquela preocupação; um traço curioso salientado pelo artista é a relativa facilidade na descrição do feio: a pintura do feio e do grotesco lhe parece bem mais acessível que a pintura da beleza, "o belo pertence a poucos", como afirmavam os antigos sábios.

Retorno de Leonardo para Florença

Após uma época de ouro em Milão, onde pintou a Última Ceia, nosso gênio precisa voltar para Florença novamente.

O Retorno de Leonardo

Os Sforza foram mecenas tão importantes, em Milão, quanto os Médici em Florença.

Embora a famosa carta de solicitação dirigida ao Duque Ludovico por Leonardo seja de conteúdo pragmático, visto que ele se apresenta como engenheiro e estrategista cujo serviço seria bastante útil às ambições políticas da casa Sforza, foi em Milão que Leonardo deu um impulso maior às suas notáveis faculdades artísticas, estimulado por aquele ambiente onde a nobreza vivia uma vida de "brilhantes pecados e refinados divertimentos", como diz Walter Pater.

Por um contraste freqüente na história da arte, foi em Milão, à sombra, por assim dizer, da grande catedral gótica construída por artistas vindos ele além dos Alpes, que Leonardo realizou a grande obra da sua maturidade artística, a legendária "Santa Ceia" do Convento de Santa Maria das Graças.

No seu processo de incessante refinamento, ele ainda pintou lá alguns de seus famosos retratos.

Porém a instabilidade política predominante em Milão, o choque de interesses dinásticos e a invasão francesa resultante dai, com a conseqüente queda da casa Sforza, tudo isso afugentou Leonardo e o fez retornar a Florença.

Leonardo Da Vinci Biografia
Florença no século XVI

Novamente Florença

Depois da queda dos Sforza e as agitações que se seguiram, Leonardo voltou para Florença.

Lá, ele foi agraciado pelo pintor Filippino Lippi, seu admirador, com com uma encomenda: era também uma pintura conventual, com o tema de Santa Ana e a Virgem.

Ao contrário de outros artistas, Filippino primava pela gentileza e o mais nobre desinteresse; ele apresentou Leonardo aos frades, como sendo capaz de bem realizar o trabalho.

Aqueles acolheram o grande artista no convento, oferecendo-lhe abrigo durante alguns meses, a ele e todo o séquito de discípulos que o acompanhavam. Embora apenas esboçado, como outras obras de Leonardo, e a principio exposto somente no ateliê, o quadro despertou tamanha admiração que:

  • "durante dois dias Florença inteira desfilou diante dele"

Toda a cidade se dirigia ao ateliè de Leonardo como para uma igreja, durante solenes festejos, o que causava maravilha, sobretudo, era a serenidade e contentamento com que a Virgem segura seu divino rebento no colo, assim como Santa Ana parece fazer com relação à própria Virgem.

O povo enxergava nisso uma espécie de manifestação miraculosa e digna de ser cultuada; e todo o continuo mereceu a mais graciosa descrição de Vasari, a qual termina com o:

  • "pequeno São João que brinca com uma ovelhinha e o faz dando ama risadinha"


É possível que essa reação do público, repetida muitas vezes, aliás, no caso de Leonardo, tenha inspirado aquela afirmação do próprio artista no seu Tratado da Pintura, de que a pintura fala diretamente ao espírito humano, sem exigir qualquer elaboração intelectual como no caso da poesia.

Esse apelo direto da pintura deverá sempre fascinar o espírito de Leonardo e levá-lo a dissertar apaixonadamente sobre o sentido da visão.

Entretanto, não deixa de causar estranheza o aparente desprezo de Leonardo pela poesia; porque ele mesmo compôs sonetos, e o Tratado da Pintura abunda em momentos da mais esplêndida poesia.

Agora vamos falar da obra de arte mais importante de todos os tempos, Mona Lisa (Gioconda).

Anatomia e Leonardo da Vinci

Neste artigo, iremos falar de como se iniciou uma das mais importantes paixões de Leonardo da Vinci, seu contato com as ciências, especificamente, a anatomia.

Mais em breve, em nossa Biografia de Leonardo da Vinci, voltaremos a falar neste importante tema, que era bem presente na vida de nosso gênio.

Experimentos Científicos de Da Vinci

A estadia em Milão ainda serviu para aproximar Leonardo de um lume da medicina, um dos criadores dos modernos estudos de anatomia, Marco Antonio Della Torre, que lecionava em Pisa e interpretava de outro modo as doutrinas médicas do célebre Galeno.

Sob o impulso dessa amizade, Leonardo deu um novo aspecto e unia direção mais firme aos seus próprios estudos de anatomia, além de ilustrar de maneira maravilhosa os conhecimentos de Della Torre, num livro com muitos desenhos a lápis vermelho, onde aparecia toda a ossatura humana, assim como os nervos sistematicamente descritos e unidos à musculatura e aos ossos.

Não se pode esquecer, entretanto, das reservas que a Igreja Católica opunha a esse tipo de estudo; mesmo mais tarde, quando Leonardo já tinha envelhecido, Miguel Ângelo precisou fazer em segredo suas análises de cadáveres com finalidade estética.

Apesar da relativa liberdade gozada então pelos professores de medicina em Pisa, uma república independente e menos submetida ao pensamento da Igreja, tudo nos leva a acreditar que nessa mesma época Leonardo tenha desenvolvido sua famosa escrita invertida, que faz uso da mão esquerda e exige um espelho para permitir a leitura; essa informação de Vasari combina bem com o espírito da época.

Anatomia e Leonardo da Vinci

Agora uma pausa nesse assunto, para pular para outro...assim como Leonardo gostava de fazer. Vamos falar sobre arte agora, a pintura da Santa Ceia.

Pintura da Santa Ceia
Detalhe da obra "A Última Ceia", de Da Vinci

Quem foi Leonardo da Vinci ?

Antes de entrarmos em detalhes mais específicos, com calma, e seguindo uma linha cronológica em nosso portal Biografia de Leonardo da Vinci, vamos traçar algumas palavras e pensamentos gerais sobre este grande homem, para sabermos melhor quem foi Leonardo Da Vinci.

É uma preparação para o que vem por aí, uma introdução para a grande mente, pessoa e espírito que iremos estudar melhor adiante.

Biografia de Leonardo da Vinci


Desvendando Leonardo Da Vinci

Poucos homens despertam tanta atenção quando Leonardo da Vinci (1452-1519). E por quê?

Sem dúvida alguma porque seu gênio floresceu de um modo extraordinário, mesmo se levamos em consideração a verdadeira plêiade de artistas fora do comum que o rodeavam.

Desdobrando-se em mil facetas diferentes, a poderosa imaginação de Leonardo deverá extrair de suas camadas mais profundas todo um mundo de realizações artísticas.

E dizemos adrede "artísticas" porque, apesar de seus esboços surpreendentemente modernos, Leonardo sempre permaneceu uma alma de artista, um espírito refinadíssimo, é verdade, e dotado de curiosidade universal, mas alguém que encontrava naquelas observações feitas diretamente, sem o intermédio de instrutores e livros, apenas u meio de satisfazer sua curiosidade algo infantil.

A mente de Leonardo nos parece demasiado original, vigorosa e despojada daquela complexidade própria dos arcabouços científicos; em suas finas observações sobre o artista, Taine disse que para Leonardo vale o dito:

"parecia saber tudo, sem ter aprendido nada"
Não se trata, porém, de u sofista, como poderia parecer à primeira vista; o fato é que ele estuda o feto em sua formação anatômica com olhos quase místicos, os mesmos olhos que deveriam enxergar aqueles misteriosos bebês, os filhos de Leda, rompendo a casca do ovo que os abrigou: durante nove meses?

Não sabemos. Leonardo não se propôs ministrar-nos lições de anatomia no estilo de Vesálio, e se descobriu a circulação do sangue antes de Harvey, foi a fim de associar o fenômeno à intensa vida interior que palpita nos seus quadros, ou quem sabe aos ciclos lunares e às potências siderais.

Estábulos projetos por Leonardo da Vinci
Estábulos construídos em Vigevano projetados por Leonardo da Vinci


Introdução à vida de Leonardo Da Vinci

Por mais que admiremos aqueles maravilhosos cadernos de esboços e projetos científicos e de engenharia traçados por Leonardo, devemos reconhecer o seu caráter essencialmente artístico; tinham razão aqueles que lamentaram a inexistência de mais quadros e painéis pintados pelo grande artista.

Por outro lado, como diz seu mais notável biógrafo, Vasari, ele poderia ter alcançado grande renome também no conhecimento da literatura antiga, tão cultivada por seus contemporâneos, não fosse por sua natureza inconstante e incapaz de firmar-se num projeto de longa duração.

Entretanto, vejamos agora um pouco de suas máquinas de guerra e de voar, repassemos em nossa memória seus experimentos diversos, acompanhemos Leonardo da Vinci atento aos seus preceitos de qualquer natureza, sejam eles técnico-científicos, sejam de arte, mas sem esquecer jamais que estamos na presença de um agênio cuja vida foi, ela mesma, transformada numa obra de arte suprema.