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Invenções e Máquinas de Da Vinci

Dentre outros projetos curiosos e bizarros, pelo menos ara sua época, o final do século XV e começo do século XVI, Leonardo da Vinci possui um, particularmente curioso: o da máquina voadora, um aeroplano primitivo: seu insucesso, já que o projeto não foi levado adiante, apenas serve para realçar a glória de Leonardo também nesse campo.

Leonardo e as Máquinas

Leonardo da Vinci sonhava com máquinas.

É claro que não se tratava do mesmo sonho claro de um inventor moderno: no estágio de desenvolvimento em que se encontrava a ciência e particularmente a mecânica de seu tempo, isso era impossível.

Tampouco Leonardo era afeito à severa disciplina e à investigação metódica de um Roger Bacon, nem concebeu um plano de domínio da natureza tão claro como o de Francis Bacon, por exemplo.

Leonardo, aliás, nem mesmo conseguiu levar a cabo, sempre impelido nesta ou naquela direção, todos os projetos mecânicos a que dava início. Por outro lado, é pena que Leonardo não tenha pesquisado a fundo tudo o que a literatura medieval e romana da época antonina tinha preservado em termos de máquinas e engenhos diversos.

É possível que, a partir dessa literatura, ele tivesse aperfeiçoado, ainda mais as suas catapultas, minas, bombardas, canhões, ap-relhos de sítio e balistas.

O mesmo pode ser dito com respeito às suas máquinas hidráulicas: invenções chinesas como o monjolo e o tear hidráulico o teriam encantado e servido de estímulo para o seu impulso criador, o processo chinês de impressão sobre papel e de fabricação da pólvora também lhe teriam interessado.

Capacidade de Inventar de Leonardo

Entretanto o que desperta a mais sincera e profunda admiração da posteridade ao estudar a obra dita científica de Leonardo da Vinci é a inteligência, a variedade e ambição latente nos seus projetos e nos seus inventos quaisquer que sejam.

E o fato que muitos desses projetos foram considerados simplesmente fantásticos e inexequíveis não diminui absolutamente seu significado enquanto ensaios nascidos da inventividade de um gênio.

Acreditamos que Leonardo se apresenta, na verdade, como um visionário no estilo de Júlio Verne: em meio à obscuridade dos dados biográficos chegaram até nós, podemos pressentir que pela mente brilhante de Leonardo passava a travessia de continentes inteiros.

Passava o tráfico fantástico de veículos ainda mais fantásticos entre os planetas; viam-se cidades flutuantes ou submarinas, moradas e fábricas subterrâneas, túneis de dimensão inimaginável, e, sobretudo, máquinas poderosas, capazes de extrair as forças da natureza a fim de transformar essa mesma natureza.

Enfim, para Leonardo, talvez mais que para qualquer outro grande renascentista, até mesmo Leone Battista Alberti, "o homem é o ministro e o intérprete da natureza".

Mas essa interpretação ocorre da maneira mais curiosa: ela não é racional, simplesmente, não se baseia no cálculo matemático, apesar das simpatias de Leonardo por essa ciência, e apesar de toda a sua admiração pela perspectiva de Brunelleschi e a geometria de Leone Battista Alberti.

Ao contrário, toda a ciência de Leonardo, mesmo quando ele desenha seus veículos e armas de guerra, mesmo quando ele planeja e consegue abrir canais e drenar pântanos a fim de mudar a paisagem da Lombardia, possui sempre algo de misterioso, de secreto, de inesperado.

Algo que, no seu sentido mais profundo, ultrapassa em muito os resultados do cálculo matemático. A ciência de Leonardo lembra os estudos de Goethe sobre a natureza da luz, ou seja, uma mistura de apenas alguns ou até mesmo nenhuns acerto propriamente científico, com uma poesia universal.

Leonardo se assemelha àqueles alquimistas medievais, com seus planos quiméricos e suas conversas diretas com a natureza; se o pintor da Mona Lisa fosse menos sereno e concentrado em si mesmo, menos dotado de riqueza interior e de concepções artísticas, acreditamos que ele teria feito como Ben-venuto Cellini, isto é, ido à arena arruinada do Coliseu, nalguma noite escura, a fim de evocar os espíritos infernais, e apavorar-se Perante a investida deles.

Outros, porém, eram os espíritos que assombravam Leonardo da Vinci: ele não podia se conformar às limitações de força, de duração e de movimento do homem; pareciam-lhe demasiado estreitos os limites dentro dos quais o rei da criação vivia: por que não possui o homem força ilimitada, que lhe permita o domínio pleno da natureza em torno dele?

Por que ele não vive para sempre, nem tampouco consegue voar?

A máquina voadora

Voar! Este foi para o homem, desde que ele povoa a face da terra, seu sonho mais inalcançável e a causa da sua maior frustração.

Torna-se bastante difícil para nós imaginar, hoje, todo o peso dessa limitação nos milênios que precedem a invenção das nossas modernas máquinas de voar: desde os contos e os relatos imaginários mais antigos, desde os escritores gregos como Luciano, que anteciparam Júlio Verne e transportaram o homem à Lua e aos planetas, fazendo-o alçar vôos imaginários da mais alta envergadura, até os sarracenos com seus tapetes voadores e seus projetos efetivos de mecanismos que jamais foram postos em prática, não se apresentou desafio mais instigante aos olhos do homem inventor.

Daí surge a importância do esboço de Leonardo da Vinci para um aparelho voador, um engenho mais pesado que o ar e capaz de libertar, finalmente, o homem das suas pesadas amarras terrestres.

É pena que Leonardo não tenha conhecido e nem sequer concebido o balão que subiu aos céus de Lisboa, no início do século XVIII, por obra do padre voador, o brasileiro Bartolomeu de Gusmão.

Tampouco temos certeza de que Vasari nos fala mesmo de balõezinhos de brinquedo; qual não teria sido a impressão do grande gênio italiano se tivesse tido o privilégio de testemunhar a subida do primeiro aeróstato, a célebre passarola, como teve seu conterrâneo, o futuro Papa Inocêncio XIII!

Máquina voadora invenção de Máquina de voar de Leonardo Da Vinci

Invenções da Leonardo Da Vinci
"Helicóptero" de Da Vinci

Morcegos inventores

O plano de Leonardo, entretanto, era baseado no princípio físico do planador, isto é, tratava-se de uma dedução direta do mesmo principio que serve ao voo dos pássaros, cuidadosamente observado pelo grande intérprete da natureza. É possível, ainda, que o morcego, aquele ser misterioso, anfíbio entre o mamífero e os pássaros, e que sempre despertou nos espíritos mais simples um sentimento misto de terror e admiração, também tenha servido como fonte de inspiração para Leonardo da Vinci.

As asas arqueadas do "ratinho careca" dos franceses bem podem ter merecido um estudo cuidadoso de quem, aliás, se comprazia em ornamentar lagartos a fim de pregar peças nos amigos.

De qualquer modo, o morcego ocupa um lugar conspícuo no rol das tentativas e dos sonhos de voar próprios do homem da renascença; prova disso é a narrativa pitoresca de Benvenuto Cellini acerca de seus projetos de fuga da prisão no sombrio Castelo de Santo Ângelo, projetos esses que envolviam o morcego:

"Esse homem", isto é, o próprio carcereiro chefe, certa personagem tresloucada, "começou a me interrogar acerca do meu modo de fuga: ao qual eu disse que, tendo considerado os animais que voam, e querendo imitar com arte o que eles tinham recebido da natureza, não havia nenhum que pudesse ser imitado, exceto o morcego"; foi então que o carcereiro, dando livre curso aos seus próprios sonhos de voar, concordou entusiasmado com a afirmativa de Cellini, o qual prosseguiu com sua modéstia habitual: "Eu lhe disse que, se ele me desse liberdade para isso, bastava-me voar até Prato, fazendo para mim mesmo um par de asas de cambraia encerada".

Naturalmente nada existe de científico na estranha proposta de Cellini, que acabou fugindo mesmo da sombria prisão, é verdade, mas empregando a velha e boa corda feita de lençóis que todos nós conhecemos.

O curioso episódio, entretanto, serve para nos dar uma ideia da extensão e importância que o sonho de voar possuía entre os renascentistas, e do significado profundo que, por isso, tem para nós o esboço de Leonardo: este último não construiu o aparelho almejado, mas soube alçar vôos muitíssimo mais altos do que podemos imaginar.

Invento de Leonardo Da Vinci
A asa lembra a de um morcego

Escritos de Leonardo

Além de pintar, Leonardo escreveu, e muito, sobre os mais diversos temas, como veremos neste artigo de nossa biografia.

Escritos e Obras de Leonardo Da Vinci

Tendo seu gênio voltado para as artes plásticas, sobretudo, Leonardo da Vinci escreveu relativamente pouco; seus cadernos de anotações, aliás, os famosos cadernos com a escrita invertida, são numerosos, é verdade, mas por seu próprio caráter criptográfico ti-veram efeito quase nulo sobre a literatura de seu tempo.

Além disso, a inquietude e universalidade de seu pensamento se expressou de maneira resumida, é verdade, porém incisiva, na sua amada pintura; ele deverá considerar sempre, malgrado seus impressionantes projetos esculturais, a pintura como representante máxima do sentido artístico do homem.

Tudo que contribui para a formação e o enriquecimento da arte pictórica, mesmo o objeto ou recurso mais insuspeitado, deverá interessar sobremaneira Leonardo; ele cultiva ou educa de tal modo o órgão da visão, que acabamos por nos confundir e não sabemos, ao estudar sua vida, até que ponto ele mesmo via o mundo como nós mesmos, ou, ao contrário, enxergava tudo sob uma lente própria, original, produzida por sua sensibilidade artística extremada e sua curiosidade sem fim.

Mas o pouco de escrito que recebemos de Leonardo é bastante instrutivo do seu caráter e temperamento. Aliás, com exceção de alguns sonetos dispersos, vagas reminiscências de sua própria vida e de seu ideal artístico, sonetos esses talvez ainda um tanto quanto desajeitados e de modo algum perfeitos como os de Michelangelo, o que temos de Leonardo é apenas o Tratado da Pintura.

Um traço comum entre os dois grandes artistas, entretanto, é a melancolia, a forte inclinação para um vago desânimo diante do espetáculo da vida e diante dos ideais da arte.

As semelhanças, todavia, param por aí: porque Leonardo jamais é tão dramático, tão radical em seus juízos quanto Michelangelo; o pintor da Mona Lisa jamais pensou em trancar-se num quarto a fim de morrer de fome, nem tratava o papa de um modo tal que nem o rei de França ousaria; essa atitude era típica do famoso pintor da Capela Sistina em Roma.

Um testemunho interessante da diferença de temperamento entre os dois artistas também pode ser encontrado no modo como eles tratavam a paisagem. Leonardo, sempre curioso e mergulhado nos seus sonhos de refinamento estético, nos mostra paisagens alpinas atrás da Mona Lisa, montanhas mergulhadas na luz misteriosa do esfumado, ou campinas e encostas recobertas de flores delicadas e que ainda exalam seu perfume através dos séculos.

Michelangelo, por sua vez, dispõe apenas de algumas  poucas flores ou grama, ao fundo de seus quadros, e não quer contar-nos nenhuma história  através da paisagem; toda a sua história esá concentrada nas personagens temáticas, o fundo é representado por rochas nuas na paisagem desolada; ou até mesmo, como no caso do Tondo Doni da Galleria degli Ufizzi, por um grupo desnudo, em contraste com o tema.

Soneto de Da Vinci

Vejamos, entretanto, um soneto de Leonardo:
"Aquele que não pode o que quer, deve querer o que podePorque querer o que não se pode é loucuraO sábio, portanto, deve fazer-se um preceito de afastar sua vontade daquilo que ele não pode alcançarO homem não deve mais querer sempre o que podeMuitas vezes uma coisa parece doce, e depois se torna amargaJá chorei por ter alcançado algo que desejava".

Lamentar-se um homem dessa natureza não por ter sido frustrado nos seus intentos, mas, ao contrário, por tê-los realizado!

Talvez esse descontentamento com a própria perfeição seja um dos motivos de Leonardo ter deixado incompletos tantos de seus trabalhos; mas essa é também uma fonte de encanto.

Asim como a Vênus de Milo talvez não fosse tão sedutora se dispusesse de seus braços, também aquelas obras de Leonardo poderiam não ter o mesmo encanto caso fossem acabadas; o esfumado é o que lhes confere originalidade quando confere ao espectador a tarefa de completar pela força da imaginação o esboço que lhe é apresentado.

A língua vulgar ou Vernáculo

Tratado da Pintura, é o escrito de Leonardo que resume da maneira mais clara e incisiva a  a corrente de suas ideias sobre a arte.

Ele o escreveu em Italiano, a língua vulgar, como Dante tinha escrito seu memorável poema e Cellini a Autobiografia não menos memorável.

O fato não nos surpreende se consideramos que Leonardo era demasiado moderno, inovador, curioso e inquieto para apegar-se à  tradição humanista de escrever em latim; ele não ama as citações, conto nós, nem tampouco se prende à disciplina acadêmica.

Não podemos, de modo algum, imaginar o grande artista ocupando uma cátedra universitária terminando calmamente seus dias como lente aposentado, após proferir longas e quiçá tediosas aulas a gerações de alunos.

Ao contrário, como tantos outros nomes significativos da renascença, Leonardo anda aqui e acolá em busca de seus mecenas, de seus discípulos e da perfeição de sua arte; ele não se atém a nenhum cânon artístico, exceto o da beleza, e não dá origem a uma escola no sentido de Rafael e Michelangelo.

Os imitadores de Leonardo são poucos, nem se ressentem de qualquer influência esterilizadora, salvo algumas poucas exceções; Berenson jamais poderia dizer dele, como disse de Michelangelo, que:
"ele deveria ter morrido aos quarenta anos", poupando assim a arte italiana de um influxo prejudicial.

Tampouco encontramos no escrito de Leonardo qualquer atitude pedante e excessivamente didática ou acadêmica; ele apenas faz sugestões, apenas nos transmite conselhos preciosos sobre as mais diversas questões artísticas.

Seu objetivo é o de conduzir e estimular o prazer da criação, sem se deixar seduzir pela própria grandeza e sem permitir que qualquer esnobismo aflore no texto.

Ao contrário, a poesia vem ao nosso encontro, a cada momento, durante a leitura do Tratado da Pintura; leitura original, aliás, que pode e deve ser feita quase ao acaso, sem urna ordem deter-minada, visto que o estilo é o da conversação, que recai ora sobre este ora sobre aquele tema, sem obedecer a um plano rigoroso.

Vejamos um desses momentos de poesia, quando Leonardo exalta a faculdade criadora do pintor.

"O pintor é dono de todas as coisas que possam incidir no pensamento do homem; porque, se ele deseja contemplar belezas que o enamoram, ele é bem capaz de dá-las à luz e se quer ver coisas monstruosas, que espantem, ou que sejam próprias de bufões e risíveis, ou ainda provoquem compaixão, ele é senhor e criador delas. E se quer gerar sítios desertos, lugares um-brosos ou frescos durante a estação quente, ele lhes dá forma, assim como a lugares quentes durante a estação fria. Se quer vales ele for-ma sua semelhança; se quer divisar campos abertos desde os cumes elevados das montanhas, e se quer depois contemplar o horizonte do mar, ele é senhor disso; e assim também se desde os baixos vales quer ver os montes nas alturas ou, das cirnas daqueles montes, ver-as baixadas e as praias"; fascina-o a capacidade do artista, portanto, de criar o que primeiro estava nas profundezas de sua mente. 

Poesias e sonetos de Da Vinci

Roma e César Bórgia

Neste artigo, vamos entender melhor a relação entre Leonardo Da Vinci com a cidade de Roma e o príncipe César Bórgia.
 

Roma e César Bórgia

De Milão Leonardo passou a Roma, a fim de servir César Bórgia.

Mesmo considerando todas as vicissitudes da história contemporânea, custa-nos entender como um homem de tão grande gênio foi reduzido a tratar com e a trabalhar para quem alcançou a reputação de um dos mais cruéis tiranos de toda a história.

Pouco importa, aliás, que César Bórgia também tenha sido chefe militar de primeira linha, ou que tivesse a intenção de unificar a Itália, libertando-a do jugo estrangeiro: o contraste entre esses dois homens é demasiado forte para que possamos omiti-lo ou esquecê-lo de algum modo: é-nos possível imaginar Fídias ou Policleto, aqueles dois luminares da arte grega, junto ao imperador Tibério?

Mas, bem ao contrário deste último, que se desfez em lágrimas ao prever o assassinato de seus netos e o fim da sua estirpe, o filho do Papa Alexandre VI não possuía nenhum ponto fraco, nenhum vestígio de humanidade como os que podem ser encontrados, às vezes, mesmo nos maiores celerados;  sua frieza e inexorabilidade se tornaram proverbiais num sentido negativo, ele é quase tão legendário quanto o próprio Leonardo da Vinci.

Num estudo notável sobre o Bórgia, o escritor francês Paul de Saint Victor, nos lembra que o capitão fez cercar, num acesso de capricho sanguinário, a Praça de São Pedro em Roma, transformando-a numa espécie de arena gigantesca, e lá, vestido de acordo com a ocasião, literalmente caçou seis prisioneiros condenados, a flechadas.

E num requinte de barbaridade o espetáculo foi assistido pelo próprio Alexandre VI, alguns parentes e Giulia Bella, amante de César; outros crimes de César também são horríveis, a ponto de merecer eterno olvido "sob o véu das notas em latim", como os de Tibério.

Para fortuna de Leonardo e da história da arte, esse relacionamento pouco durou; surpreende-nos, apenas, que Leonardo não tenha encontrado nos papas os mecenas que tanto merecia, como Rafael e Michelangelo.

Seria porque o espírito clássico era demasiado forte na cidade, demasiado escultural para favorecer um gênio exclusivo da pintura? Ou demasiado claro para reconhecer o estilo original, algo misterioso e enigmático da pintura de Leonardo, contrário ao que transmitiam os quadros translúcidos de Rafael?

Será que os pontífices consideravam Leonardo, já maduro e a caminho da velhice, ultrapassado em seu estilo, enquanto os outros dois grandes gênios da arte seriam mais atuais? Ainda surpreende o fato de que Leão X, o grande papa da renascença, florentino e Médici de nascimento, humanista perfeito e amante das letras e das artes, famoso por seu lema: "que a língua latina seja considerada como cultivada sob o nosso pontificado", também não tenha conduzido Leonardo a Roma nem o tenha favorecido quando ele já estava lá.

Ao contrário, com seu gosto pela anedota, Vasari nos conta que o papa, tendo feito uma encomenda a Leonardo, ficou perturbado ao verificar que o artista se dedicava ao preparo das tintas, como de costume, nisso perdendo tempo aos olhos do pontífice, que por isso se queixou de que aquele estranho Leonardo "começava por onde os demais artistas terminavam", o que muito desgostou o artista, levando-o a dispensar-se da obra.

César Bórgia
"Retrato de um Cavalheiro" (Cesare Borgia), por Altobello Melone.

Espiritualidade: Fé e Religião de Leonardo Da Vinci

Qual a religião de Leonardo? Como era a fé do grande gênio ?
Descubra agora, em mais um artigo da Biografia de Leonardo Da Vinci.

Espiritualidade de Leonardo Da Vinci

Entretanto, não podemos nos esquecer da importância que a cabeça humana como o órgão do pensamento, o foco da espiritualidade e de toda psicologia, tem para Leonardo da Vinci.

Desde os tempos do ateliê de Verrocchio ele já demonstrava seu interesse pela anatomia e o desenho perfeito da cabeça, interesse que só fez aumentar mais tarde, estendendo-se para o estudo da formação e expressão geral do rosto e a cor e expressão dos olhos.

Leonardo acredita, por exemplo, que os rostos devam ser idealizados quando o mereçam, a fim de combinar com a alma interior sediada na cabeça; ele adverte o pintor contra os perigos da escolha adrede de rostos afins ao do próprio artista, para evitar o desenho de rostos feios, se acaso for feio aquele artista, o que costumava acontecer entre os últimos representantes da idade média, com seus grotescos: ao contrário, diz Leonardo, se o artista busca a beleza desde o inicio acabará por encontrá-la.

Ele ainda salienta que o objeto da pintura será, sempre, descrever o corpo e a mente; esta última sendo, é claro, de acesso mais difícil, e exigindo a mais cuidadosa observação dos gestos que a representam.

O pintor deve, ainda segundo Leonardo, estudar a gesticulação dos mudos, a mais rica que existe, com o objeto de ler e traduzir tudo aquilo que acontece na mente; os minuciosos estudos sobre a posição e forma do nariz, sobre o arqueado maior ou menor das sobrancelhas, a espessura dos cílios e o desenho da boca indicam aquela preocupação; um traço curioso salientado pelo artista é a relativa facilidade na descrição do feio: a pintura do feio e do grotesco lhe parece bem mais acessível que a pintura da beleza, "o belo pertence a poucos", como afirmavam os antigos sábios.

Retorno de Leonardo para Florença

Após uma época de ouro em Milão, onde pintou a Última Ceia, nosso gênio precisa voltar para Florença novamente.

O Retorno de Leonardo

Os Sforza foram mecenas tão importantes, em Milão, quanto os Médici em Florença.

Embora a famosa carta de solicitação dirigida ao Duque Ludovico por Leonardo seja de conteúdo pragmático, visto que ele se apresenta como engenheiro e estrategista cujo serviço seria bastante útil às ambições políticas da casa Sforza, foi em Milão que Leonardo deu um impulso maior às suas notáveis faculdades artísticas, estimulado por aquele ambiente onde a nobreza vivia uma vida de "brilhantes pecados e refinados divertimentos", como diz Walter Pater.

Por um contraste freqüente na história da arte, foi em Milão, à sombra, por assim dizer, da grande catedral gótica construída por artistas vindos ele além dos Alpes, que Leonardo realizou a grande obra da sua maturidade artística, a legendária "Santa Ceia" do Convento de Santa Maria das Graças.

No seu processo de incessante refinamento, ele ainda pintou lá alguns de seus famosos retratos.

Porém a instabilidade política predominante em Milão, o choque de interesses dinásticos e a invasão francesa resultante dai, com a conseqüente queda da casa Sforza, tudo isso afugentou Leonardo e o fez retornar a Florença.

Leonardo Da Vinci Biografia
Florença no século XVI

Novamente Florença

Depois da queda dos Sforza e as agitações que se seguiram, Leonardo voltou para Florença.

Lá, ele foi agraciado pelo pintor Filippino Lippi, seu admirador, com com uma encomenda: era também uma pintura conventual, com o tema de Santa Ana e a Virgem.

Ao contrário de outros artistas, Filippino primava pela gentileza e o mais nobre desinteresse; ele apresentou Leonardo aos frades, como sendo capaz de bem realizar o trabalho.

Aqueles acolheram o grande artista no convento, oferecendo-lhe abrigo durante alguns meses, a ele e todo o séquito de discípulos que o acompanhavam. Embora apenas esboçado, como outras obras de Leonardo, e a principio exposto somente no ateliê, o quadro despertou tamanha admiração que:

  • "durante dois dias Florença inteira desfilou diante dele"

Toda a cidade se dirigia ao ateliè de Leonardo como para uma igreja, durante solenes festejos, o que causava maravilha, sobretudo, era a serenidade e contentamento com que a Virgem segura seu divino rebento no colo, assim como Santa Ana parece fazer com relação à própria Virgem.

O povo enxergava nisso uma espécie de manifestação miraculosa e digna de ser cultuada; e todo o continuo mereceu a mais graciosa descrição de Vasari, a qual termina com o:

  • "pequeno São João que brinca com uma ovelhinha e o faz dando ama risadinha"


É possível que essa reação do público, repetida muitas vezes, aliás, no caso de Leonardo, tenha inspirado aquela afirmação do próprio artista no seu Tratado da Pintura, de que a pintura fala diretamente ao espírito humano, sem exigir qualquer elaboração intelectual como no caso da poesia.

Esse apelo direto da pintura deverá sempre fascinar o espírito de Leonardo e levá-lo a dissertar apaixonadamente sobre o sentido da visão.

Entretanto, não deixa de causar estranheza o aparente desprezo de Leonardo pela poesia; porque ele mesmo compôs sonetos, e o Tratado da Pintura abunda em momentos da mais esplêndida poesia.

Agora vamos falar da obra de arte mais importante de todos os tempos, Mona Lisa (Gioconda).

Leonardo Da Vinci era Gay ?

Muito se fala sobre sexualidade hoje em dia, de qualquer pessoa, de qualquer meio do que for. De gênios e pessoas famosas, então, mais ainda.

Então, nesse artigo falaremos brevemente sobre o que se sabe em relação à orientação sexual de Leonardo Da Vinci, se era gay ou não.

Homossexual ?

Ainda é curioso observar o interesse dos grandes artistas da renascença, tais como o próprio Leonardo, Miguel Ângelo, Ben-venuto Cellini e tantos outros pela beleza masculina; se eles foram ou não homossexuais, não importa para este nosso estudo.

Mas o fato é que Vasari insiste nesse interesse por parte de Leonardo; notemos, apenas a titulo de ilustração, o que ele diz acerca de Salaíno, a principio contratado como um simples criado, mas que se tornou mais tarde o discípulo favorito de Leonardo:

  • "Tomou em Milão por criado a Salaíno, o qual era bastante lindo, cheio de graça e beleza, tendo belos cabelos que formavam caracóis; se comprazia muito dele, e lhe ensinou muita coisa".


Na Autobiografia de Benvenuto Cellini também encontramos amiúde a descrição de belos rapazes que ele conheceu em Roma, e dos deleites que eles lhe proporcionavam; um deles, chamado Diego, foi mesmo cuidadosamente travestido com roupas femininas pelo próprio Cellini e assim apresentado numa festa, para escândalo da alta sociedade romana.

Quanto a Leonardo, o biógrafo ainda cita outro seu discípulo, Francesco da Melzo,"cavalheiro e rapaz belíssimo ", senhor de hábitos principescos, que acompanhou o artista à corte de Francisco I, e noticiou com profundo pesar a morte do mestre.

Por fim, Leonardo ele mesmo, quando criança e adolescente, tem sua beleza elogiada com frequência pelo biógrafo. Ele e algumas pessoas próximas, homens, foram acusados diversas vezes de sodomia, mas nunca nenhuma acusação foi levada a adiante.

Leonardo sempre foi uma pessoa muitíssimo discreta e sigilosa, sobre quase tudo de sua vida pessoal. Suas únicas relações pessoas foram com alguns poucos pupilos, homens, e isso gerou muita especulação na história, inclusive por Sigmund Freud.

Podemos dizer, que muitas de suas obras, eram bem erotizadas, por assim dizer:
Da Vinci era gay ? Homossexual ?
Bacchus / John the Baptist" (1513/16)


E é tudo que sabemos.
Sem certezas, julgamentos ou achismos. Cada um decide.
Citamos o assunto e os fatos registrados acerca do mesmo, apenas por questão de curiosidade sobre a sexualidade do gênio Da Vinci, que muitos se indagam.

E cá entre nós, isso não importa em absolutamente nada. Continuemos.
Vamos retornar para o que é importante...vamos retornar para Florença com Leonardo.

Fonte: How do we know Leonardo was gay?

Última Ceia - História da Pintura de Leonardo da Vinci

Neste artigo, talvez um dos mais importantes dos site, vamos aprender sobre a obra Última Ceia, que retrata a Santa Ceia. Veremos como ela iniciou, seus problemas, atrasos, esboços e toda a história por trás desse famoso trabalho.

Estudar sobre a vida e obra de Leonardo Da Vinci, é ler sobre diversos assuntos e ao mesmo tempo (engenharia, artes, olho humano, literatura, anatomia, guerra...) pois a mente do gênio era inquieta.

No artigo anterior estávamos falando sobre Anatomia e Estudos Científicos, e sobre como esses assuntos iniciaram na vida de Leonardo.

Vamos pular drasticamente de assunto, e falar da Santa Ceia, pois era assim que a mente de Leonardo funcionava.

História da Pintura da Santa Ceia

Nessa mesma ocasião, Leonardo trabalhou em dois de seus retratos mais conhecidos: os das amantes de Ludovico, Cecilia Galerani e Lucrécia Crivelli.

A notável galeria ainda inclui os retratos de Beatriz d'Este, a esposa legitima do duque. Ainda demonstrando sua versatilidade e engenho, Leonardo realizou, a serviço dos Sforza, grandes trabalhos hidráulicos e mecânicos; ele empreendeu a construção de canais que não apenas serviram para estimular a navegação fluvial como também resultaram numa vasta rede de irrigação que fecundou a Lombardia e fez dela o celeiro da Itália.

Em termos artísticos, porém, a grande obra de Leonardo em Milão é a "Ceia". Apenas a "Gioconda" ou "Mona Lisa" recebeu mais atenção que essa obra; isso justifica, entretanto, aquela fina observação de Gombrich:

  • "Talvez não seja nenhuma verdadeira bênção para uma obra de arte ser tão famosa"


Porque sua reprodução desenfreada, em cartões postais, ilustrações de todo tipo, peças de propaganda, e até charges e caricaturas vio-lenta sua "aura", sua originalidade, roubando-lhe o caráter único e tornando praticamente impossível considerá-la com novos olhos.

Convém não esquecer que o excesso, e não a falta de informação, banaliza o nosso gosto contemporâneo e dificulta a formação de bons críticos de arte. Berenson foi um dos últimos, aliás.

A história da Ceia, entretanto, é cercada de episódios curiosos e ilustrativos do temperamento de Leonardo: o esboço final do quadro já era visto como miraculoso; o pintor chegava de manhã bem cedo ao Convento de Santa Maria das Graças, dos padres dominicanos, e permanecia absorto em seu trabalho até o anoitecer.

Também ocorreram desentendimentos entre Leonardo e o prior dos dominicanos, do mesmo modo como entre Miguel Angelo e o Papa Júlio II a respeito da Capela Sistina.

Indignado com a demora na conclusão do quadro, e com aquilo que lhe parecia negligência e puro ócio na atitude de Leonardo, o prior deu queixa ao duque; este advertiu Leonardo que não apenas apresentou uma prolongada explicação ao duque, o que não era seu costume, mas ainda ameaçou por sua vez colocar a cabeça do pobre prior no corpo de Judas - este era quase o único detalhe que ainda faltava; também estava incompleta a cabeça do Cristo.

O duque riu diante da ameaça, e concedeu a Leonardo todo o prazo de que ele precisasse; finalmente o artista encontrou a fisionomia que procurava, num bairro mal afamado da capital, o Borghetto.

Vasari conta que a Ceia tornou-se logo um centro de atração para milaneses e forasteiros; o momento escolhido por Leonardo - quando a traição de Judas é revelada - era carregado de tensão; e a suspeita parecia instalada no coração de cada um dos discípulos:


  • "Por isso se vê no rosto de todos eles o amor, o medo e o aborrecimento, ou melhor, a dor por não poder compreender o pensamento de Cristo. E isso não provoca menor maravilha que o reconhecimento do ódio, da obstinação e da traição de Judas, assim como do fato de que nem sequer o menor detalhe da obra deixa de exibir uma incrível diligência".


Apenas essa diligência, aliás, ou seja a busca incessante da perfeição, explica a demora da conclusão da obra, e a explicação de Leonardo ao duque, de que era difícil encontrar a cabeça ideal para as duas personagens mais importantes do sublime drama: Judas e o Cristo.

Pintura "A Última Ceia"

Quadro da Santa Ceia


Esboços e Estudos para Santa Ceia

Antes da obra final, Leonardo fez alguns estudos, pesquisas e esboços, que deram origem à famosa pintura:

Esboço da pintura Última Ceia
Apóstolo
Rosto de Jesus no quadro Santa Ceia
Esboço do rosto de Jesus Cristo

Ceia de Leonardo da Vinci
Esboço do rosto de Filipe
Pintura de Judas
Judas

Próximo artigo: Homossexualismo de Da Vinci


Mais fontes:
http://www.lairweb.org.nz/leonardo/supper.html

Anatomia e Leonardo da Vinci

Neste artigo, iremos falar de como se iniciou uma das mais importantes paixões de Leonardo da Vinci, seu contato com as ciências, especificamente, a anatomia.

Mais em breve, em nossa Biografia de Leonardo da Vinci, voltaremos a falar neste importante tema, que era bem presente na vida de nosso gênio.

Experimentos Científicos de Da Vinci

A estadia em Milão ainda serviu para aproximar Leonardo de um lume da medicina, um dos criadores dos modernos estudos de anatomia, Marco Antonio Della Torre, que lecionava em Pisa e interpretava de outro modo as doutrinas médicas do célebre Galeno.

Sob o impulso dessa amizade, Leonardo deu um novo aspecto e unia direção mais firme aos seus próprios estudos de anatomia, além de ilustrar de maneira maravilhosa os conhecimentos de Della Torre, num livro com muitos desenhos a lápis vermelho, onde aparecia toda a ossatura humana, assim como os nervos sistematicamente descritos e unidos à musculatura e aos ossos.

Não se pode esquecer, entretanto, das reservas que a Igreja Católica opunha a esse tipo de estudo; mesmo mais tarde, quando Leonardo já tinha envelhecido, Miguel Ângelo precisou fazer em segredo suas análises de cadáveres com finalidade estética.

Apesar da relativa liberdade gozada então pelos professores de medicina em Pisa, uma república independente e menos submetida ao pensamento da Igreja, tudo nos leva a acreditar que nessa mesma época Leonardo tenha desenvolvido sua famosa escrita invertida, que faz uso da mão esquerda e exige um espelho para permitir a leitura; essa informação de Vasari combina bem com o espírito da época.

Anatomia e Leonardo da Vinci

Agora uma pausa nesse assunto, para pular para outro...assim como Leonardo gostava de fazer. Vamos falar sobre arte agora, a pintura da Santa Ceia.

Pintura da Santa Ceia
Detalhe da obra "A Última Ceia", de Da Vinci